Seria totalmente desconexo

se, eu não fosse um amontoado de segredos a serem descobertos,

se, o que me queima por dentro,  me faz vestida de desejo.

e eu fantasio horas  o grito, depois o silêncio

palavras, palavras, palavras,

ao vento…

“Chego meio prosa, sombras no rosto.
Não tenho muitas palavras como pensei.
“Coisa ínfima, quero ficar perto de ti”.
Te levo para a avenida Atlântica beber de tarde
e digo: está lindo, mas não sei ser engraçada.
“A crueldade é seu dilema…”
O meu embaraço te deseja, quem não vê?
Consolatriz cheia de vontades.
Caixa de areia com estrelas de papel.
Balanço, muito devagar.

Conheces a cabra-cega dos corações miseráveis?”

ana c.

Por que o pensamento nunca é exato. Ta aí a confusão

Nasce no canto da boca um sorriso. Pra ti. Por que tu gosta.
Aqui sempre nessa brincadeira de morde assopra, fica a tua marca, no peito, ferida, cicatriz. No corpo, chama. Me chama. Me leva, leve. Pego-te, pelas mãos. Te quero, de pé, no alto. Nuvem de vapor do asfalto quente.
E o peito dilata, dilacera. Nosso dialeto, nossas frases incompletas, incorretas, impróprias.
Te Amo
Inválido?
Te Amo mais!
Instante fulgaz, momento que te vi, te senti, que tremi.
Assopra… Te Amo… ainda

Porque ela tem a pele morna, a beleza morena e  ameça se jogar da janela

Jura que nunca o fará, mas deseja ter asas nas noites de insônia.

… carregava o fardo de muito querer, o ímpeto quente de um peito viciado no amor, ladeada de subprodutos de paixões obscuras. Os acontecimentos se sucediam e se amontoavam, ela não os impedia, nenhum intervenção, deixava ir sem sobressalto, não conhecia a magia do verbo, nem a dor crua do peito que sangra em hemorragia bruta invisível…

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