2018

a existência partiu meu coração de tantas e tantas as formas esse ano que tenho medo, com a verificação da força que o desgaste do físico age,
de dizer que já não tem nada pior.

Eu nunca fui tão feliz e tão triste. Olhar atento.
Pra dentro pra dentro pra dentro, transbordando em outros. Tudo foi muito e tudo foi lindo. Eu só vivi pra sara dor, e construí coisas incríveis,
e destruí coisas incríveis na dança eterna negar e aceitar.

Seguimos, com a coragem de quem já vai nua de encontro ao vendaval.
essa foi a minha musica mais ouvida do ano.

Estou ansiosíssima para 2019.

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o futuro é tudo que a gente não viveu

Houve caminhos fora do quarto
traçados fora da cama, houve

Os principais, porém, foram percorridos
no teu corpo, laboriosamente

Rui Caeiro

 

 

A mão cravada. Deixar partir. Seguir. Andar. Saber olhar pra trás e ver beleza. Cada detalhe de infinita loucura. Tanta loucura infinita beleza. O ser humano ainda é surpreendente. E se deixar encantar… Amar com delicadeza e preocupação. Querer ser amada com verdade e integridade. A emoção é sempre a grande novidade. Em que ângulo da tua vida você vai me mostrar tamanha grandeza?

Muito obrigado por tudo que eu tenho passado.

Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás meu verso.
Distanciado
Dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mais próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansas de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?
E te pareço bela
Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos aventura?
Que é de todo impossível
Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?
Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?

Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?

– Hilda H.

escuta toda vez que exalo seu nome e volta
me olha muito séria com seus olhos negros – ela é sempre muito séria
sinto penetrar na nuca toda essa potência de amor e verdade
nunca houve palavras não ditas
cultivamos profundidades
discutimos por menores das nossas questões distantes
mantemos no cume do indizível o amor
que não vivemos
dói nela meu choro por outros mares
dói em mim o tão pouco a oferecer
tão claro como asfalto
nossas humanidades se olham de frente

Cena de filme de desamor
não é cinza inverno solidão, nem vazio azul melancolia

 

em primeira pessoa é absolutamente ordinário,
racista, normativo, patriarcal, machista.

 

cliché dizem os de fora, violento dizem os de dentro

 

para sobreviver, descascar a beleza do ego megalomaníaco colonial,
é dolorido colorido perceber, em si, desejo colonizado. O que em mim, de você, desperta a lâmpada do sim? Em uma epifania, entender que sua historia de amor estava historicamente fadada a esse fim.

 

carecemos de novidade, 500 anos tudo igual.
-enfim libertar o leão para que ele se sacie