o futuro é tudo que a gente não viveu

Houve caminhos fora do quarto
traçados fora da cama, houve

Os principais, porém, foram percorridos
no teu corpo, laboriosamente

Rui Caeiro

 

 

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A mão cravada. Deixar partir. Seguir. Andar. Saber olhar pra trás e ver beleza. Cada detalhe de infinita loucura. Tanta loucura infinita beleza. O ser humano ainda é surpreendente. E se deixar encantar… Amar com delicadeza e preocupação. Querer ser amada com verdade e integridade. A emoção é sempre a grande novidade. Em que ângulo da tua vida você vai me mostrar tamanha grandeza?

Muito obrigado por tudo que eu tenho passado.

Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás meu verso.
Distanciado
Dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mais próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansas de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?
E te pareço bela
Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos aventura?
Que é de todo impossível
Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?
Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?

Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?

– Hilda H.

escuta toda vez que exalo seu nome e volta
me olha muito séria com seus olhos negros – ela é sempre muito séria
sinto penetrar na nuca toda essa potência de amor e verdade
nunca houve palavras não ditas
cultivamos profundidades
discutimos por menores das nossas questões distantes
mantemos no cume do indizível o amor
que não vivemos
dói nela meu choro por outros mares
dói em mim o tão pouco a oferecer
tão claro como asfalto
nossas humanidades se olham de frente

Cena de filme de desamor
não é cinza inverno solidão, nem vazio azul melancolia

 

em primeira pessoa é absolutamente ordinário,
racista, normativo, patriarcal, machista.

 

cliché dizem os de fora, violento dizem os de dentro

 

para sobreviver, descascar a beleza do ego megalomaníaco colonial,
é dolorido colorido perceber, em si, desejo colonizado. O que em mim, de você, desperta a lâmpada do sim? Em uma epifania, entender que sua historia de amor estava historicamente fadada a esse fim.

 

carecemos de novidade, 500 anos tudo igual.
-enfim libertar o leão para que ele se sacie

brindo

Aos dramáticos que me atravessaram e ao que sou

Agradeço

Por me fazer ver a beleza no exagero, me interessar por mentiras sinceras
e olhar com piedade pra realidade fria, careta e covarde.

Pela irreverência escondida atrás da porta, a força de adorar pelo avesso e mesmo sabendo que vcs são burros cara como seis são burros e mesmo assim e ainda assim jogar o jogo da sedução pra ferida que só o amor do outro sara, conquistar uma coisa qualquer pra juntar gargalhadas e lágrimas, camaleoa me transformar com a força de milhões de sóis baiano, adorar o menino deus e no fim do dia preguiçosa me deliciar como tigresa na paz que o sexo traz.

Aos malditos que me instigaram a amar o excluído, o escondido  e o vôo que só janelas altas e ilícitas proporcionam, pra que de haicai em prosa meu bordel coração seja ocupado por poetas bixas putas suicidas, um brinde.

Agora sento sobre os princípios da civilização branca e desmonto mito por mito forjado sobre o pensamento ocidental, que a descoberta do capital acha mais prazerosa ser a pequena peça da ignição de uma estrutura poderosa do que sentir o poder e força vibrando seu corpo todo ao encarar o tempo e o amor com a medida da sua unidade humana

Ossos, veias, órgãos e finitude