tem uma pedra no topo da montanha
tem uma montanha em cima da pedra
atados a esse fiapo velho
o fio da história que ainda costura

o que fazer agora que a noite já desceu
e estamos aqui crispados de frio
atados a esse fiapo velho
o fio da história que ainda costura

o louco na cidade rompeu a manhã
se perdendo em milhões de corredores
ainda hoje está no labirinto, de costas pra saída
a bradar velhos verbos
atados a esse fiapo velho
o fio da história que ainda costura

 

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Exercício de criação número primeiro
é solitário o processo do artista em auto-narrativa.

Eu te conheço até o osso por intermédio de uma encantação que vem de mim para ti. Só há uma coisa que me separa de você: o ar entre nós dois. Às vezes para ultrapassar esse quase cruel afastamento, eu respiro na tua boca que então me respira e eu te respiro. Mas só por um único instante, senão sufocaríamo-nos.

In : Esboço para um possível retrato – Clarice Lispector

a ira não se permite ignorar
foi tão inesperado que a recebi aos prantos
desavisada
o corpo chorou uma tarde inteira
algo mudou e eu não sabia o que fazer.

 

tua cara estalada na porta de entrada
onde bati até quebrar os ossos da mão
pra entender que te movimentar internamente
é golpear parte viva do meu próprio corpo

 

O espaço é limitado. Os lugares não.

eu fantasio horas  o grito, depois o silêncio.

“Chego meio prosa, sombras no rosto.
Não tenho muitas palavras como pensei.
Coisa ínfima, quero ficar perto de ti.
Te levo para a avenida Atlântica beber de tarde
e digo: está lindo, mas não sei ser engraçada.

“A crueldade é seu dilema…”

O meu embaraço te deseja, quem não vê?
Consolatriz cheia de vontades.
Caixa de areia com estrelas de papel.
Balanço, muito devagar.
…”

Ana C.

 

 

calcula estratégicamente a força da imagem
de costas oferece ao olho a visão do Éden
miragem ao pé da porta

3 passos distante
léguas de felicidade